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EDIÇÃO DE "RITUAIS TRANSFIGURADOS"
EM JULHO
Em Julho, é editado pela COBRA o disco "Rituais
Transfigurados", com a gravação ao vivo das bandas sonoras
que os Mão Morta apresentaram no dia 5 de Julho de 2008, na
16.ª edição do Curtas de Vila do Conde, a acompanhar a
exibição dos filmes "A Study in Choreography for Camera", "At
Land", "Meshes of the Afternoon" e "Ritual in Transfigured
Time", da realizadora pioneira do cinema experimental Maya
Deren.
PRÓXIMOS CONCERTOS
07 de Agosto -
Santo Tirso - Festival STCulterra
21 de Agosto -
Corroios - Festas de Corroios
29 de Agosto -
Porto - Festival Noites Ritual Rock
"MALDOROR" EM DVD
Já disponível no site da Cobra Discos e nas lojas a 2 de Março
A “Maldoror”, o espectáculo que os Mão
Morta estrearam no Theatro Circo de Braga, a 11 e 12 de Maio
de 2007, baseado no livro “Os Cantos de Maldoror” que
Isidore Ducasse, sob o pseudónimo de Conde de Lautréamont,
deu à estampa nos finais do séc. XIX, e levaram depois em
digressão por todo o país – Portalegre (Centro de Artes do
Espectáculo), Torres Novas (Teatro Virgínia), Viseu (Teatro
Viriato), Leiria (Teatro José Lúcio da Silva), Faro (Teatro
das Figuras), Estarreja (Cine-Teatro Municipal), Lisboa (Culturgest)
– até ao regresso final ao mesmo Theatro Circo, a 3 de Maio
de 2008, Nuno Couto e Filipe Lourenço gravaram-lhe o som,
Manuel Leite, Alexandre Guerreiro e Ana Maia captaram-lhe as
imagens e Manuel Leite montou-as, para a obtenção de uma
obra autónoma que é simultaneamente um testemunho visual do
espectáculo e uma recordação desses momentos marcantes para
cuja concretização os Mão Morta dedicaram os últimos três
anos da sua existência.
Sobre o espectáculo, escreveu o Professor
de Teoria da Literatura da Faculdade de Letras de Coimbra
Osvaldo Manuel Silvestre que “Maldoror é um objecto singular
e estimulante, desde logo porque se integra mal em qualquer
das categorias herdadas da já longa tradição da cultura rock.
(…) É isto rock? É isto arte contemporânea? Seguramente, e
ao mesmo tempo. Um híbrido poderoso, um nó cego de questões
que, entre o triunfo do corpo e a sua textualização, entre
as ilusões do visível e a irrupção abrupta e excessiva do
sublime, entre obra material e performance, entre
negatividade e catarse – entre o rock e tudo o resto –,
fazem de Maldoror um dos episódios decisivos das artes
performativas em Portugal neste momento.” É
essa obra que a Cobra agora edita em DVD, acrescida de dois
pequenos filmes, “A Estreia”, de Manuel Leite, que apresenta
os últimos instantes antes da primeira subida do pano, quer
nos camarins quer na sala, e “Um Passeio Quotidiano”, de
Nuno Tudela, que regista o que foi a montagem do espectáculo
e a sua digressão. Disponível a partir do dia 6 de Fevereiro
no site da editora e
dia 2 de Março nas lojas.
Ficha Técnica
Selecção de texto, versão portuguesa e
adaptação de Adolfo Luxúria Canibal a partir do texto
original francês “Les Chants de Maldoror” de Isidore Ducasse,
O Conde de Lautréamont.
Música original de Miguel Pedro,
excepto “O Herói (pt. 2)”, original de António Rafael, e “O
Sonho”, original de Vasco Vaz.
Encenação de António Durães.
Cenografia de Pedro Tudela.
Figurinos de Cláudia Ribeiro.
Videoplastia de Nuno Tudela.
Desenho de luz de Manuel
Antunes.
Interpretação de Mão Morta – Adolfo Luxúria Canibal:
voz / Miguel Pedro: electrónica e bateria / António Rafael:
teclados e xilofone brinquedo / Sapo: guitarra / Vasco Vaz:
guitarra e xilofone brinquedo / Joana Longobardi: baixo e
contrabaixo – com a participação de Manuel Toga (figuração)
e Maria João Feio (menina no vídeo).
Gravado ao vivo no
Theatro Circo, em Braga, a 11 e 12 de Maio de 2007, por Nuno
Couto, com assistência de Filipe Lourenço.
Mistura áudio e
masterização de Nuno Couto.
Filmado no Theatro Circo, em
Braga, a 11 e 12 de Maio de 2007, por Manuel Leite,
Alexandre Guerreiro e Ana Maia.
Montagem vídeo e realização
de Manuel Leite.
Design gráfico de Andreia Alves Mendes.
Notícias antigas
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Tour "Ventos Animais"
Depois do êxito da apresentação e da
itenerância bem sucedida do espectáculo "Maldoror", onde as
marcações, o cenário e o guarda-roupa ditavam as regras, os
Mão Morta regressam à liberdade do formato clássico de
concerto, para explorarem o seu longo reportório de canções
e manifestos, onde "Oub'Lá", "E Se Depois", "Budapeste", "Anarquista
Duval" ou "Em Directo (Para a Teelvisão)" têm lugar cativo.
Intitulada explicitamente "Ventos Animais", do título de uma
canção do seu segundo disco, "Corações Felpudos", esta
digressão quer-se da revisitação e jubilação de um
património partilhado, transmutando os ventos animais em
sopros de festa rija e inesquecível.
E agora os “Ventos Animais” chegam ao
Porto e a Lisboa, duas cidades onde os Mão Morta não tocam
há demasiado tempo: a última apresentação em Lisboa –
descontando a especificidade de “Maldoror” no esgotado
auditório da Culturgest em Abril passado – foi a 23 de Março
de 2005, numa lotada e delirante Aula Magna, quando
encerraram a tournée “Sessões de Inverno” que procedia à
apresentação do álbum “Nus”; e no Porto os Mão Morta não são
vistos desde 8 de Outubro de 2004, na passagem da tour
“Sessões de Outono”, dedicada à intimidade dos clubes e
pequenos espaços, por um tórrido “O Meu Mercedes…”,
irrespirável de tanta gente.
21 de Novembro (22h) - Barcelos, Auditório S. Bento Menni
(Festival
Subscuta / Bilhetes: 10€) 28 de
Novembro - Montijo, Parque de Exposições (FestiRock 08)
19 de Dezembro (21h30)- Sesimbra, Cine Teatro João Mota
6 de Março - PORTO, TEATRO SÁ DA
BANDEIRA (21h30; primeira parte: Smix Smox Smux;
bilhetes entre 15€ e 18€, já à venda)
14 de Março - Portalegre, Centro de Artes do Espectáculo
(21h30)
21 de Março - Torres Vedras, Teatro-Cine (22h)
27 de Março - Guimarães, Teatro São Mamede (22h)
28 de Março - Alcochete, Fórum Cultural (22h)
1 de Abril - LISBOA, CINEMA SÃO
JORGE (21h30; primeira parte: Murdering Tripping
Blues; bilhetes a 18€, já à venda)
3 de Abril - Abrantes, Cine-Teatro São Pedro (22h)
18 de Abril - BRAGA, AUDITÓRIO DO
PARQUE DE EXPOSIÇÕES / FEIRA DO LIVRO (22h)
Concertos nos Açores
08 de Agosto - Semana do Mar - Palco Alternativo (Horta -
Açores)
09 de Agosto - São Roque (Pico - Açores)
MALDOROR, o disco, já à venda

Das gravações dos espectáculos de estreia de MALDOROR, a 11 e 12 de Maio de 2008, no Theatro Circo, resultou este disco,
em formato de CD duplo. MALDOROR é uma edição limitada, com capa em pano e booklet interior com textos do espectáculo
e ilustrações de Isabel Llano. É vendido apenas no site da editora,
www.cobradiscos.org, e nos locais por onde passará
ainda o espectáculo.
Próximas apresentações de "MALDOROR"
28 23 de Fevereiro - Teatro Virgínia em
Torres Novas
7 e 8 de Março - Teatro Viriato em Viseu
13 de Março - Teatro José Lucio da Silva em Leiria
5 de Abril - Teatro Municipal de Faro
12 de Abril - Cine Teatro de Estarreja
23 de Abril - Culturgest em Lisboa
3 de Maio - Theatro Circo em Braga
(Estas serão as últimas apresentações do espectáculo.)
"MALDOROR", no Theatro Circo de Braga (11
e 12 de Maio) e no Centro de Artes do Espectáculo de
Portalegre (19 de Maio)
 Na
Paris sitiada de 1870 e em vésperas do levantamento da
Comuna morre aos 24 anos o desconhecido Isidore Ducasse. No
entanto este misterioso “homem de letras” deixava atrás de
si um formidável empreendimento de demolição de que o
romantismo envelhecido e o Segundo Império à beira do
desastre não seriam as únicas vítimas. Os seus “Os Cantos de
Maldoror”, impressos no ano anterior sob o pseudónimo de O
Conde de Lautréamont, não poupam nenhuma autoridade nem
nenhum dogma.
Sob a aparência de um herói do Mal,
negativo dos heróis românticos então em voga, Maldoror é a
personagem central da narrativa estruturada em Cantos à
maneira das epopeias clássicas. Mas Maldoror é muito mais
que um herói do Mal, é sobretudo um combatente da liberdade
que nos revela as consequências de uma dupla alienação:
enquanto a interiorização dos interditos morais e religiosos
nos confisca os desejos, as marcas de uma linguagem
imobilizada contrariam-nos a livre expressão.
Se a primeira alienação ganha denúncia no
combate encarniçado de Maldoror contra o Criador e a
religião e na natureza obsessivamente erótica dos seus
crimes, relembrando a animalidade e a agressividade que a
Igreja associa à sexualidade, já a segunda é exposta pela
recorrência a artifícios literários, da interpelação do
leitor à confusão entre narrador e personagem, da ausência
de linearidade narrativa à constante sobreposição de formas
literárias, como se ao combate encarniçado contra o Criador
correspondesse estranhamente uma luta da escrita contra uma
censura latente. Apesar disso, o texto não perde balanço,
antes, como uma espiral ou um turbilhão, ganha um movimento
rodopiante, de reposição e de renovação, de repetição e de
modulação, com novos enredos sempre a arrancarem para logo
abortarem, com constantes intromissões e divagações a
impedirem a narração de avançar, não abordando novos relatos
senão para voltar a tropeçar no mesmo episódio indizível,
deixando entrever o que se segue para melhor o ocultar, tal
um segredo que se quer contar mas não se consegue, criando
assim uma tensão que vai alimentar toda a obra, que dá a
impressão de gravitar à volta de um centro sempre fugidio.

A partir de “Os Cantos de Maldoror”, a obra-prima literária
que Isidore Ducasse, sob o pseudónimo de Conde de
Lautréamont, deu à estampa nos finais do séc. XIX, os Mão
Morta, com os dedos de alguns cúmplices, estruturaram um
espectáculo singular onde a música brinca com o teatro, o
vídeo e a declamação.
Aí
se sucedem as vozes do herói Maldoror e do narrador
Lautréamont, algumas imagens privilegiadas das muitas que
povoam o livro, sem necessidade de um epílogo ou de uma
linearidade narrativa, ao ritmo da fantasia infantil – o
palco é o quarto de brinquedos, o espaço onde a criança
brinca, onde cria e encarna personagens e histórias dando
livre curso à imaginação.
Em similitude com a técnica narrativa presente nos Cantos, a
criança mistura em si as vozes de autor, narrador e
personagem, criando, interpretando e fazendo interpretar aos
brinquedos/artefactos que manipula as visões e as histórias
retiradas das páginas de Isidore Ducasse, dando-lhes
tridimensionalidade e visibilidade plástica. O espectáculo é
constituído pelo conjunto desses quadros/excertos, que se
sucedem como canções mas encadeados uns nos outros,
recorrendo à manipulação vídeo e à representação.
Como um mergulho no mundo terrível de Maldoror, povoado de
caudas de peixe voadoras, de polvos alados, de homens com
cabeça de pelicano, de cisnes carregando bigornas, de
acoplamentos horrorosos, de naufrágios, de violações, de
combates sem tréguas… Sai-se deste mundo por uma intervenção
exterior, como quem acorda no meio de um pesadelo, como a
criança que é chamada para o jantar a meio da brincadeira –
sem epílogo, sem conclusão, sem continuação!
Texto Original: Isidore Ducasse dito Conde de
Lautréamont;
Selecção, Versão Portuguesa e Adaptação: Adolfo
Luxúria Canibal;
Música: Miguel Pedro, Vasco Vaz, António Rafael e Mão
Morta;
Encenação: António Durães;
Cenografia: Pedro Tudela;
Figurinos: Cláudia Ribeiro;
Vídeo: Nuno Tudela;
Desenho de Luz: Manuel Antunes;
Interpretação: Mão Morta (Adolfo Luxúria Canibal –
voz / Miguel Pedro – electrónica e bateria / António Rafael
– teclados e guitarra / Sapo – guitarra / Vasco Vaz –
guitarra e teclados / Joana Longobardi – baixo e
contrabaixo);
Produção: Theatro Circo e Imetua – Cooperativa
Cultural.
ESTREIA NO THEATRO CIRCO, em Braga, A 11 E 12 DE MAIO DE
2007
Outras apresentações:
PORTALEGRE, Centro de Artes do Espectáculo, a 19 de Maio.
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